domingo, 8 de maio de 2011

Jogatina

Brincadeiras à parte, tu me completas. Eu com meu jeito de brincar falando a verdade e tu gracejando a verdade com um sorriso doce. Me deleito à forma lúdica que me levas a sério e, quanto menos preciso, mais me iludo! És curinga a sorrir: jogas com meus dados e apostas meu naipe de copas. Meu desarme é inevitável ao teu jogo sujo: amo-te por me amar de brincadeira.

Perdendo o toque

Chegou abril e, com toda a efervescência de um feriado prolongado, fez-se poesia. As palpitações centradas de um coração ousado expunham minhas emoções: ali está ela. O que separa minha poesia da tua música é apenas uma curta estrada de vinte quilômetros contados pela minha ansiedade e euforia. Além de números, entretanto, o meu retrocesso ababela todas as convicções. Queria eu não ser ousado e amar: tentei, assim, me curar, mas só remediei o insanável. O problema é que a estrada se prolongou dentro de mim e fui perdendo o toque. Incurado, portanto, continuei a sofrer. Fui vivendo meus confrontos e ilusões até perceber o quão vil minha vida é. Sem ti. Senti.

Vestal

A saudade faz tudo se prolongar, prolonga até mais a distância, diverge dois lado unidos pela trivial ironia de caminhos. Discrepância do destino, o que tu fazes pondo tantas milhas? Se é para provar que eu atravesso desertos, é melhor estacionar. A saudade faz tudo parar: até meu pulso. Quero teu cheiro, teu afago, teu calar, mas não te quero assim tão calado: não quero o silêncio que tua falta faz.